Pesquisador da UNESP de Rio Preto descobre 50 novas espécies de peixes na Bacia do Alto Paraná


Apesar de ser uma das bacias hidrográficas mais estudadas do País, a Bacia do Alto Paraná (que abrange os rios Paranaíba, Tietê, Paranapanema, Rio Grande e trecho do rio Paraná até a barragem de Itaipu) apresenta inúmeras espécies de peixes desconhecidas. No Ibilce (Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas) da UNESP, o projeto “A ictiofauna da região do Alto Rio Paraná“, coordenado pelo docente Francisco Langeani Neto, descobriu 50 delas.

Iniciada em 2005, sob patrocínio da Fapesp, a pesquisa contou também com a participação da docente Lílian Casatti, além da servidora técnica-administrativa Roselene Ferreira e de alunos de pós-graduação e de graduação. Ao longo de dois anos, o grupo pesquisou a ictiofauna do trecho, isto é, o conjunto de peixes dessa região, com o objetivo de produzir uma síntese das espécies existentes.


Segundo Langeani, o projeto atuou em três etapas: na primeira, realizou-se um levantamento de trabalhos publicados sobre as espécies do Alto Paraná; na segunda, revisou-se o material proveniente de coleções brasileiras, isto é, lotes de peixes coletados e analisados em outras instituições de pesquisa; por fim, coletaram-se peixes em regiões pouco estudadas da bacia.

O grupo fez coletas em riachos do Rio Grande (MG) e do Rio Paranaíba (MG e GO). “Escolhemos trabalhar nos riachos, pois potencialmente eles apresentam espécies novas“, explica Langeani. “A maior parte dos peixes de grandes rios já são bem conhecidas pelos pesquisadores“, acrescenta.

Após o trabalho de campo, a equipe comparou as espécies encontradas com as já descritas na literatura e descobriu que ao menos cinqüenta delas não eram conhecidas. “Essa constatação nos faz indagar quantas espécies desconhecidas devem existir na Bacia Amazônica, por exemplo, que é bem menos estudada que a do Alto Paraná” relata Langeani.

De acordo com ele, a pesquisa está em fase de encerramento e artigos com a síntese das espécies já foram aceitos para publicação em revistas científicas. “O próximo passo será solicitar novo financiamento para desenvolvermos o trabalho nos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná“, afirma.

Corrida contra o tempo – Além de descobrir cinqüenta novas espécies de peixes na região do Alto Paraná, a pesquisa contribui para que se reflita a cerca de uma questão preocupante: será que teremos tempo de conhecer todas as espécies de peixes antes de acabarmos com elas?

De acordo com Langeani, apesar de todos os estudos que são feitos na região, se as pesquisas continuarem a ocorrer na mesma velocidade, demoraremos dez anos para descrever todas as espécies existentes. “Até hoje, apenas 310 espécies são conhecidas. No projeto que desenvolvemos, descobrimos mais cinqüenta, o que mostra que a variedade existente é muito grande“, afirma.

O docente explica que os riachos da Bacia do Alto Paraná localizados no Estado de São Paulo são os menos preservados e que a ação que mais atinge os peixes é o desmatamento. “Com o corte das árvores, a terra vai para o rio e cobre a rocha, o que acaba matando as espécies que encontram alimento na superfície das pedras“, explica.

Os peixes pequenos, que são as espécies menos descritas cientificamente, são também os mais prejudicados pelo desmatamento. Por serem de pequeno porte, muitas vezes não conseguem procurar outro local para viver e acabam desaparecendo. “Nosso maior desafio é conhecer todas essas espécies antes que elas sumam do mapa“, declara. Na pesquisa desenvolvida, 65% das espécies descobertas têm menos de 21 cm.

Fonte: Unesp

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