Peixe é usado como “moeda de troca” em boca-de-fumo

Polícia descobre que, em alguns casos, comunidade ribeirinha paga drogas com pescado

Super-valorizado, o peixe tem sido utilizado como “moeda de troca” em algumas comunidades ribeirinhas da Baixada Cuiabana. Há casos em que é utilizado como pagamento de droga em bocas de fumo. A constatação foi feita pela Delegacia do Meio Ambiente (Dema) e pelo Batalhão da Polícia Militar de Proteção Ambiental.

Um dos motivos é a valorização do produto no mercado. Segundo o comandante adjunto do Batalhão, capitão Ronnie Peterson Dias da Silva, um dos pontos críticos é a comunidade do Praeirinho.

“Percebemos que as barrancas dos rios não são frequentadas apenas por pescadores. Vamos ter que fazer uma operação em conjunto com a Rotam neste ponto para retirar de circulação as pessoas mal intencionadas”, disse o oficial.

Durante toda esta semana, policiais vão intensificar a fiscalização com a operação “Praeirinho”, que tem como alvo comunidades que ficam às margens do rio Cuiabá. O foco é coibir a pesca ilegal.

Apesar do período de defeso da piracema ter começado no dia 1º de novembro, a proibição da pesca não está sendo respeitada. Nem mesmo as fiscalizações coíbem a prática.

Além de servir como “moeda de troca”, outro fator que estimula a prática, segundo o comandante, é a valorização do produto.

“Assim como o tráfico de drogas, a pesca é uma atividade lucrativa nesta época. É só ir ao mercado e ver os preços. O quilo do pintado está custando, em média, R$ 20”. Os peixes mais visados são das espécies Pintado, Cacharra e Pacu.

O pescador Aloedil Benedito de Siqueira, 62, sempre retirou o sustento da família do rio. Mesmo após se aposentar, ele continua morando na comunidade ribeirinha Novo Terceiro. “Quando chega a piracema eu paro e só pego alguma coisa para o consumo nosso mesmo”.

Porém, nem todos fazem o mesmo. “Às vezes encontro pescadores no rio, mas eles não são daqui da comunidade. Eles vem aqui só para pegar o peixe e depois revender. Se a gente fala alguma coisa, eles dizem que a gente não manda nada, que não somos donos do rio”.

Regras

O período de defeso da piracema vai até o dia 28 de fevereiro em todos os rios de Mato Grosso. Até lá, apenas a pesca de subsistência, para famílias ribeirinhas, está permitida.

A GAZETA

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