Parecer técnico vai embasar pedido de estado de emergência para o Pantanal

Os animais já vinham debilitados pela falta de pasto e agora veio essa cheia súbita

A Embrapa Pantanal estará preparando nos próximos dias um parecer técnico para embasar o pedido de estado de emergência que produtores da planície pantaneira fizeram ao governo do Estado de Mato Grosso do Sul. O documento deverá ser enviado pelo governo à Defesa Civil em Brasília, para que o decreto seja elaborado.

Nesta quinta-feira, dia 17 de março, o presidente do Sindicato Rural de Corumbá, Raphael Kassar, se reuniu com Emiko Resende, chefe geral da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para formalizar o pedido.

Na terça-feira, Kassar e outros presidentes de sindicatos rurais de municípios localizados no Pantanal se reuniram com o governador André Puccinelli para pedir o estado de emergência. Eles afirmam que a cheia antecipada pelo excesso de chuvas concentrado em poucos dias pegou os pecuaristas de surpresa e muitos não tiveram tempo de remover o gado das áreas mais baixas do Pantanal. Neste ano, em Corumbá, já choveu cerca de 900mm e muitos rios da Bacia do Alto Paraguai estão enchendo.

Kassar disse que 70% da planície ficam em Corumbá. Outros municípios afetados são Coxim, Rio Verde, Aquidauana, Miranda e Porto Murtinho. O presidente do sindicato rural disse à chefe geral da Embrapa Pantanal que haverá “um índice elevado de morte de animais”. “Quem conseguiu tirar os bois antes, tirou. Quem não conseguiu, não tira mais”, afirmou. Isso porque a estrada parque (MS-184), única via de escoamento da produção do Pantanal, foi interditada nesta semana.

A situação do gado se agravou também porque em 2010 o Pantanal teve uma seca acentuada e prolongada. “Os animais já vinham debilitados pela falta de pasto e agora veio essa cheia súbita”, explicou Kassar.

Segundo ele, Corumbá tem o maior rebanho de gado bovino do Brasil, com 1,973 milhão de cabeças. Desse total, cerca de um milhão são matrizes (vacas que vão gerar os bezerros). “Já esperamos uma quebra de 50% da produção”, disse.

Ele lembrou ainda que o Pantanal é o grande fornecedor de bezerros e de boi magro para engorda. “Como nosso processo de criação da pecuária é longo –leva quatro anos para o bife chegar na mesa do brasileiro– estamos prevendo que os efeitos dessa cheia vão repercutir por quatro anos.”

Kassar disse ainda que até o acesso de aviões ao Pantanal está restrito. “Muitas pistas de pouso das fazendas estão inoperantes devido ao alagamento”, afirmou. Para ele, essa situação o faz lembrar da cheia “catastrófica” de 1974, depois de 14 anos de seca. Houve cheias significativas em 1988 e 1995, “mas não com essa magnitude”.

Na segunda-feira, o presidente do sindicato rural vai se reunir com o senador Waldemir Moka (PMDB) para tratar da situação dos produtores pantaneiros.

PREJUÍZOS

Pelo menos três pesquisadores da Embrapa Pantanal serão envolvidos na elaboração do parecer, segundo Emiko. Um deles, Urbano Gomes de Abreu, disse que o documento deve mostrar como a cheia está afetando o Pantanal e uma possível previsão de perdas.

Com o estado de emergência decretado, os produtores da planície devem ter acesso a uma linha de crédito especial e possível prorrogação de dívidas que estejam para vencer, já que eles não terão como vender o gado e obter renda.

Raphael Kassar explicou que essa prorrogação de dívidas dura enquanto o decreto estiver em vigor.

O parecer da Embrapa Pantanal deve ser entregue juntamente com uma filmagem da área, que o sindicato rural espera fazer nos próximos dias.

 

Ana Maio
Jornalista – Mtb 21.928
Área de Comunicação e Negócios-ACN
Embrapa Pantanal
Corumbá (MS)

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