Falta informação para o desenvolvimento da pesca no Pantanal

Falta de informação é impasse para desenvolvimento da pesca, diz UFMT

A dificuldade em se obter informações sobre a pesca no Estado de Mato Grosso tem impedido o desenvolvimento de políticas públicas que favoreçam a atividade econômica. “Não sabemos a quantidade de peixe que é retirada de nossos rios”, disse a professora Lúcia Aparecida de Fátima Matheus, da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). São de 1997 os dados mais atualizados sobre estoques pesqueiros apresentados por ela na tarde de quarta-feira (10), na mesa redonda “Atividades Econômicas no Pantanal: desafios e alternativas”, durante o 5º Simpan (Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal), em Corumbá.

Lúcia fez a palestra “A pesca no Pantanal: potencial, problemas e perspectivas”. Segundo ela, o censo da pesca, que está em andamento na BAP (Bacia do Alto Paraguai), deve suprir parte dessa falta de informações.

Existem três modalidades de pesca no Pantanal: a de subsistência, praticada por ribeirinhos; a pesca profissional artesanal, exercida por pescadores tradicionais organizados em colônias; e a pesca amadora, realizada por turistas e que ganhou força a partir de década de 1980. “Estima-se que existam na BAP entre 7 mil e 8 mil pescadores profissionais artesanais, mas esses dados são de 2002, estão desatualizados”, disse Lúcia.

A professora explicou também que o desembarque difuso (espalhado por diversos pontos dos rios) dificulta a coleta de informações e o controle da atividade. Há cerca de 260 espécies de peixes no Pantanal, mas cerca de sete ou oito são exploradas comercialmente. Lúcia disse que espécies pequenas poderiam ser aproveitadas como peixes ornamentais, desde que haja um plano de manejo para não comprometer os estoques.

A professora disse que a diminuição dos recursos pesqueiros ocorre em função da degradação ambiental e da sobrepesca. Ela apresentou na palestra as espécies que apresentam sinais de sobrepesca na bacia do rio Cuiabá: o barbado e o pacu. Os impactos ambientais têm sido causados pela emissão de esgoto doméstico e industrial nos rios, pela implantação de usinas hidrelétricas e outras ações antrópicas (causadas pelo homem).

A palestra de Lúcia abordou problemas relacionados à legislação sobre a pesca. ”Os dois Estados conversam pouco. Há leis restritivas, mas as medidas precisam ser monitoradas para sabermos se são efetivas.” Lúcia defende a imposição de limites para a prática da pesca. “O esforço pesqueiro precisa ser controlado. Todos terão que abrir mão de um pouco para manter a população de peixes.”

O Simpan é uma realização da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, ICS do Brasil (Instituto de Comunicação Social) e da UFMS. Tem correalização da Prefeitura Municipal de Corumbá e patrocínio da Petrobras. Apóiam a iniciativa o Centro de Tecnologia Mineral, Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ministério da Ciência e Tecnologia, Prefeitura Municipal de Ladário, Universidade Uniderp, Hotel Gold Fish, Seher Turismo, Centro de Convenções do Pantanal de Corumbá “Miguel Gomez” e Universidad Pública René Moreno do Governo Departamental de Santa Cruz/Bolívia.

Ana Maio
Jornalista – Mtb 21.928
Área de Comunicação e Negócios-ACN
Embrapa Pantanal
Corumbá (MS)

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