Equipamentos modernos mudam cenário da aquicultura em Alagoas

Aquisição deverá melhorar a qualidade do filé de peixe produzido no Estado, colocando o Estado na vanguarda das pesquisas em recursos pesqueiros

O Centro Integrado de Recursos Pesqueiros e Aquicultura de Itiúba (Ceraqua São Francisco), centro tecnológico da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), conta agora com mais dois equipamentos de última geração para aquicultura no Estado de Alagoas.

Localizado no município alagoano de Porto Real do Colégio, o Ceraqua passa a contar com nova tecnologia que se soma aos equipamentos já existentes nos laboratório de nutrição, bromatologia, limnologia, patologia, genética e biotecnologia do centro tecnológico.

Os equipamentos, um cromatógrafo gasoso e um cromatógrafo líquido, os únicos em Alagoas e entre os poucos no Brasil aplicados à aquicultura, possibilitarão melhorar a qualidade do filé de peixe produzido no Estado, colocando Alagoas na vanguarda das pesquisas em aquicultura e recursos pesqueiros.

Segundo a professora Denise Pinheiro, do Instituto de Química e Biotecnologia da Universidade Federal de Alagoas (IQB/Ufal) e uma das pesquisadoras que desenvolvem trabalhos científicos no Ceraqua São Francisco, esses equipamentos serão utilizados para monitorar as condições fisiológicas dos peixes cultivados no centro tecnológico e dos capturados no rio São Francisco e seus afluentes.

Com um maior controle sobre o desenvolvimento dos animais e das rações ofertadas, poderemos produzir peixes com maior qualidade nutricional e os piscicultores empresariais e familiares que absorverem essa tecnologia serão os principais beneficiados, pois terão um animal com menor teor de gordura e maior rendimento do filé”, explicou.

A professora Denise Pinheiro destacou que o menor teor de gordura poderá ser um diferencial para o produtor, que estará produzindo peixes com maior concentração de nutrientes específicos, a exemplo dos aminoácidos e ácidos graxos. “Quando uma pessoa se alimenta regularmente com peixe que possui maior concentração desses nutrientes, essa dieta colabora, por exemplo, com a redução do risco de problemas cardiovasculares. Isso pode ser um diferencial a ser explorado pelo produtor”, acrescentou.

Para o correto manuseio do cromatógrafo gasoso e do cromatógrafo líquido, professora Denise Pinheiro (IQB/Ufal) e o médico veterinário Matheus Félix (Codevasf) participaram de treinamento oferecido pela empresa fornecedora dos equipamentos.

O treinamento consistiu, entre outras atividades, no preparo de reagentes, no repasse de orientações sobre o funcionamento dos equipamentos e no exame de amostras de ração e de filé de peixes. Também estão sendo formulados padrões que servirão de parâmetro para análise da ração e dos pescados produzidos no Ceraqua São Francisco ou capturados no rio São Francisco e em seus afluentes.

Ceraqua São Francisco é referência em recursos pesqueiros

Inaugurado em março de 2010, o Ceraqua São Francisco foi projetado para atuar como centro de referência e difusor de tecnologia em aquicultura e recursos pesqueiros. O centro possui gestão pública inovadora, ao reunir cinco instituições governamentais para sua gestão compartilhada: Codevasf, Governo do Estado de Alagoas, Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Ufal e Embrapa.

O centro também está inserido nas ações do Programa de Revitalização da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, tendo como uma de suas missões a recomposição da ictiofauna da região, produzindo também espécies ameaçadas de extinção, como o surubim. Para isso, realiza pesquisas e produz tecnologia como a de repovoamento de bacias hidrográficas, com os peixamentos no rio São Francisco, em seus afluentes e em lagoas marginais.

Além disso, o Ceraqua São Francisco trabalha para fomentar a atividade de piscicultura intensiva e empresarial no Baixo São Francisco alagoano como alternativa de desenvolvimento econômico. Para isso, suas ações dão ênfase ao piscicultor em nível da produção familiar e à iniciativa privada.

Na área científica e tecnológica, o centro consolida-se como espaço de formação de recursos humanos de ponta, com aulas práticas e teóricas para estudantes de instituições como a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e Ufal, com os cursos de Engenharia de Pesca e Bacharelado em Química. O Encontro Técnico-científico realizado anualmente também fortalece o centro como difusor de conhecimento a partir da reunião de técnicos e pesquisadores que desenvolvem atividades na unidade.

Para transformar a antiga Estação de Piscicultura de Itiúba da Codevasf em um dos mais modernos centros tecnológicos e científicos em aquicultura do Brasil, foram investidos cerca de R$ 8,5 milhões pelo Governo Federal, por meio da Codevasf e do Ministério da Pesca e Aquicultura.

Alagoas Mais Peixe apoia piscicultura em barragens comunitárias

Outra iniciativa para fomentar a piscicultura nas barragens comunitárias e açudes de uso coletivo é o Programa Alagoas Mais Peixe, coordenado pelo governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (Seagri).

Por meio desse programa, também serão incluídos tanques-rede nas barragens usadas para irrigação da cana-de-açúcar. “Isso não atrapalha a irrigação. Pelo contrário, a água se torna mais fértil para a cana. E outro motivo é porque daqui a pouco tempo, quando a queima da cana for totalmente proibida, o corte será mecanizado e muitos trabalhadores poderão ficar desempregados, tendo a piscicultura como uma atividade para inclusão e geração de renda”, resumiu o superintendente de Desenvolvimento Agropecuário da Seagri, Edson Maruta.

Segundo ele, o setor canavieiro já foi sensibilizado e é parceiro do Programa Alagoas Mais Peixe, além da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (Aecid).

De acordo com Maruta, um levantamento a respeito do potencial das maiores barragens do Estado, organizado pela Diretoria de Irrigação da Seagri, aponta que, juntas, elas somam cerca de 4 mil hectares de lâmina d’água e podem produzir até 36 mil toneladas de peixe em tanques-rede.

“Com a efetivação das ações do Alagoas Mais Peixe, que incluem a cessão de 720 tanques rede, 250 toneladas de ração, 120 mil alevinos, oxímetros, kits de análise de água, ferramentas, capacitação, assistência técnica específica e apoio à comercialização, espera-se incentivar a piscicultura no Estado”, citou Edson Maruta.

Ascom/Codevasf

Veja também

Goiás – Lei da Cota Zero será renovada por mais três anos

Os rios goianos são, sem dúvida, um dos maiores patrimônios de Goiás. A biodiversidade e …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação Segurança (obrigatorio) * Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.