Ceará – De algas marinhas a tilápia nos açudes

Planos da Adece para 2010 priorizam pesquisas sobre o que há nas áreas mais profundas do mar

Para o presidente da Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece), Antonio Balhmann, o litoral cearense é propício para a criação de algas. Tanto é assim, que ele, pessoalmente, está mantendo entendimentos com um grupo nacional interessado em instalar três unidades – uma em Icapuí, outra em Camocim e a terceira em Pecém – para a produção de algas.

A empresa, cujo nome ela prefere manter sob sigilo, vai, inicialmente, importar algas das Filipinas, com as quais dará partida a um projeto de cultivo local, em escala, desses organismos. Balhmann está seguro de que as algas terão aplicação industrial, mas preferencialmente na área do agronegócio.

Na visão do presidente da Adece, é necessário encontrar alternativa para a possibilidade de uma redução maior do esforço de captura da lagosta e do pargo, em cujas espécies os empresários cearenses do setor do pescado sempre sustentaram sua atividade.

O projeto de atração de uma indústria que cultivará e industrializará algas no litoral cearense é só um lado de um esforço maior da Adece, que deseja, até março deste ano, implementar pesquisas a respeito das espécies de peixe que habitam a costa do Ceará em profundidades superiores a 30 metros.

Não sabemos, ainda, o que existe em áreas mais profundas. Há indícios de cardumes de sardinha, mas só a pesquisa que o Labomar fará por nossa encomenda será capaz de comprovar“, disse Balhmann.

Ele acrescentou também que o esforço de sua agência não se restringe ao Atlântico. “Nossos açudes podem produzir até 400 mil toneladas/ano de tilápia, mas só produzimos 20 mil, o que é ridículo”, afirma.

Segundo Antonio Balhmann, multiplicar a atual e minúscula produção de tilápia é muito viável. “Para começar, a qualidade da água dos grandes açudes é excelente”, como provou recente pesquisa feita pelo Dnocs para o Governo do Estado. Mas é preciso que o projeto de multiplicação dos peixes cuide, antes, de um problema ecológico que se agrava: os pescadores artesanais dos açudes cearenses, como o Castanhão, estão jogando na beira dos lagos as vísceras das tilápias, o que atrai urubus. No Castanhão, isso já é visto, lamentavelmente.

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