Caranguejos: Comunidades ajudam no povoamento de manguezais

Alunos de escolas públicas, pescadores e marisqueiras do distrito de Acupe, município de Santo Amaro, a 71 quilômetros de Salvador, na região do Recôncavo, entraram nos manguezais para ajudar os técnicos da Bahia Pesca a colocar nas águas mais de um milhão de milhão de filhotes de caranguejo (megalopas) para repovoamento da fauna.

Através da Bahia Pesca, a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), realizou o primeiro repovoamento de manguezais em 2010 – o quarto em todo o Estado desde que o programa foi implantado em 2008 e o segundo em Acupe – na última sexta-feira. Os filhotes de caranguejos foram levados da Fazenda Oruabo, mantida pela Bahia Pesca. Nos próximos dois meses outros dois repovoamentos estão programados para a Região do Recôncavo, em local ainda a ser definido.

A Fazenda Oruabo é o local onde todo o trabalho de pesquisa, criação e reprodução das larvas de caranguejo, até a sua fase megalope, é feito. Antes de serem colocadas nos manguezais, as fêmeas com ovos e as larvas do caranguejo são preservadas em tanques especiais, com a assistência de biólogos, para assegurar a reprodução e o repovoamento da espécie, até a liberação em ambiente natural

Conforme explicou o diretor-técnico da Bahia Pesca, Marcos Rocha, o repovoamento de caranguejo se insere em um conjunto de medidas sócio-educativas nas comunidades ribeirinhas, quer sejam nas regiões de manguezais, ou rios e lagos. “O repovoamento busca recompor o equilíbrio ambiental destruído pela ação predatória do homem. Por isso é importante a participação das comunidades em ações dessa natureza“, disse.

Incentivo

Ao lado das queixas contra a poluição existente nos manguezais da região, fruto da própria ação do homem, pescadores e marisqueiras de Acupe incentivaram o trabalho da Bahia Pesca, por entenderem que o repovoamento de caranguejos é uma garantia futura de manutenção da atividade de captura do animal, que emprega hoje mais de três mil famílias na região.

Um dos diretores da Cooperativa de Pescadores e Marisqueiras de Acupe, Arisvaldo Batista, explicou que é preciso que haja incentivo por parte do Poder Público para estimular a preservação da fauna dos manguezais. Ele explica que atualmente a produção de caranguejo representa um pouco mais que 50% do que era produzido há três anos. “A nossa esperança é que ações como essas sejam, seguidas de outras que auxiliem o pescador e as marisqueiras , pois é daqui (manguezal) que eles tiram o seu sustento”, disse.

A representante da Colônia Z-27, de Acupe, Vera Lúcia Bispo, diz que no último cento realizado na região, foram cadastradas 1005 marisqueiras e 1.958 pescadores. Para ela, a maior dificuldade da região é que quando há a proibição de se capturar os animais na fase de desova, os catadores ficam sem qualquer outro tipo de renda. “O nosso trabalho é de conscientizar para a preservação dos manguezais, mas precisamos de outros tipos de ajuda nesse sentido”, diz.

Bahia Pesca
Assessoria de Comunicação
Adilson Fonseca – Jornalista DRT-Ba 969

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