Acordo entre SDS e ribeirinhos proíbe pesca profissional em comunidades do Careiro Castanho

Instrução Normativa da SDS determina a proibição de pesca em lagos da região Três Bocas, no Paraná Mamori

A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS) iniciou na última quinta-feira (18) o controle dos recursos pesqueiros no Amazonas com a assinatura do Acordo de Pesca que proíbe a atividade em determinadas áreas do Estado.

A assinatura aconteceu na zona rural do município de Careiro Castanho (a 88 km de Manaus). A informação foi divulgada neste domingo (21) pela Agência de Comunicação do Amazonas (Agecom).

Segundo a Agecom, a iniciativa partiu das comunidades residentes na região, que por meio de organizações sociais se mobilizaram na busca de alternativas para o uso adequado dos recursos naturais da região denominada Três Bocas, no Paraná Mamori.

A partir da Instrução Normativa 004, de 18 de agosto de 2011, fica proibida a atividade de pesca comercial por quaisquer tipos de barcos de pesca, denominados geleiras, nos lagos Piranha, Araça, Maçarico, Tucunaré, Tucunarezinho, Mira, Ararae Tracajá, Jurará, nos ambientes aquáticos adjacentes às comunidades São José, São Raimundo do Jurará, Santo Antonio do Ramal do Mamori e Sagrado Coração de Jesus, além do trecho do lago Mamori, entre a comunidade Divino Espirito Santo e a boca do Lago do Jurará.

O acordo de pesca do Careiro Castanho representa o fortalecimento da política nacional do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), segundo declarou o superintendente regional do órgão, José Otoni Raposo, presente na ocasião.

Equilíbrio

Para os moradores do município de Careiro Castanho, o acordo representa acima de tudo a sobrevivência das espécies e da renda dos pescadores da região que respeitam o período de defeso porque vivem da atividade pesqueira.

“Com o acordo não se corre o risco de acabar com as espécies. Agora, os peixes da região vão se reproduzir e os pescadores estarão com a sua renda garantida, já que 90% dos moradores do local vivem dessa atividade”, ressalta Maria José Eduardo de Souza, moradora de uma das comunidades do Careiro Castanho, no Paraná Mamori.

A Secretária de Meio Ambiente do Careiro, Neuzilena Macena, também defende o respeito pela preservação das espécies e salienta algumas consequências da pesca descontrolada na área.

“O acordo é de fundamental importância para exercer um controle da pesca. A proibição da espécie garante posterior uso delas. Hoje, quando o rio seca, todo mundo vira pescador, inclusive empresários de outras localidades, que levam caixas repletas de peixes e deixam o lixo para a comunidade. Esse acordo veio para manter o equilíbrio e preservar a sobrevivência das comunidades existentes no local”, afirma.

ACRITICA.COM

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