Ministra de Pesca e Aquicultura diz que peixe é o ‘boi da Amazônia’

Ideli Salvatti, do Ministério da Pesca e Aquicultura, refere-se ao potencial por ser explorado na piscicultura na piscicultura na Região

“O peixe é o boi da Amazônia”. Essa é a metáfora que a ministra de Pesca e Aquicultura, Ideli Salvatti (PT), utilizou para justificar o potencial pesqueiro do Amazonas, o qual só será aproveitado plenamente mediante arranjos produtivos locais com a criação de quatro polos – Alto Solimões (Benjamin Constant), Baixo Amazonas (Parintins), Manacapuru e Purus.
Ela também lembrou que o terminal pesqueiro está numa briga judicial, pois “apareceram vários proprietários do terreno” onde ele foi construído, no bairro Colônia Oliveira Machado.
A proposta da ministra, que se reuniu nesta quinta-feira (31) com o governador Omar Aziz e depois com o prefeito Amazonino Mendes, é desenvolver toda a cadeia da pesca e da criação de peixe nos quatro polos.
Isso inclui a produção de alevinos, ração, industrialização e comercialização. Ideli não soube dizer o volume de recursos necessários. Os estudos ainda serão realizados, mas ela garantiu que haverá linhas de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), via Fundo da Amazônia.
Há 15 dias o BNDES firmou convênio de cooperação como MPA, para desenvolver o setor apontado em estudo do banco a alta lucratividade nos investimentos realizados na pesca e aquicultura.
“Esses recursos do BNDES estão aí disponíveis não só para preservar, mas principalmente para os projetos de desenvolvimento que não agridem o meio ambiente”. Para Omar, o mais importante é a geração de emprego e renda no Estado, e garantir a floresta em pé.
“É dessa forma prática, pragmática que vamos resolver os problemas da pesca, investindo na cadeia produtiva”. Os projetos ainda não têm prazos definidos para serem implantados, já que existem iniciativas de produção de alevinos e salga de peixe, fábrica de gelo em alguns municípios.
Nesse tempo precisa ser desatado um nó na cadeia, a ração, que aqui tem um alto custo. O saco de 25 kg custa R$ 25; em Rondônia, R$ 19.
Segundo Ideli, é preciso trazer um dos ingredientes mais importantes da ração, a soja, que vem da região Centro-Oeste, via Rio, até o porto de Itacoatiara (a 176 quilômetros de Manaus). “Infelizmente não fica um grão de soja aqui, e vamos ter que mudar isso”.
Esportiva
Outra frente trabalhada na reunião do governador com a ministra é a pesca esportiva, que não praticamente não deixa nada de divisas para os municípios.
“O Amazonas tem grande potencial na pesca esportiva. Mas não pode ser no modelo desenvolvido aqui, porque o dinheiro fica com as grandes operadoras. O que nós queremos é ter regras muito claras para que os recursos possam ficar no Brasil, nos Estados e nos municípios”, enfatizou.
Nas próximas semanas o MPA vai apresentar projeto que visa regularizar o setor e ele será articulado com os ministérios do Turismo, Esporte e Meio Ambiente.
No Amazonas, a pesca esportiva é desenvolvida principalmente no municipio de Barcelos e na vila de Balbina (Presidente Figueiredo). Também foi discutida uma ação integrada com os ministérios da Justiça e da Defesa para evitar a evasão, contrabando de peixe ornamental e evitar que o peixe sirva de embalagem para o tráfico de drogas.
Dois caminhões frigoríficos
O ministra Ideli Salvatti entregou no início da tarde dois veículos, um caminhão frigorífico e um caminhão feira, que servirão para estruturar a cadeia produtiva além da entrega simbólica de uma fábrica de gelo, no Puraquequara.
No Estado, serão 11 fábricas. Os equipamentos têm dois objetivos: pegar o peixe diretamente do pescador artesanal fazendo que ele consiga ter um preço melhor, transportar o pescado com segurança e levar o peixe fresco até às comunidades que não tem condições financeiras de se deslocar até o supermercados ou mercados.
“Nós precisaríamos chegar a cinco caminhões feira, o prefeito está me pedindo o triplo. Mas vamos depender dos senadores fazerem emendas”, brinca Ideli. “O caminhão vem para melhorar a vida do pescador, acabando com atravessador, e melhorar a do consumidor”, destacou Amazonino Mendes.
De acordo com o secretário municipal de Produção e Abastecimento, a fábrica de gelo terá capacidade de 1,2 mil kg/dia e atenderá 28 comunidades do Puraquequara.

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um comentário

  1. Vejo com bons olhos essa retomada da pesca no Brasil, principalmente depois do fiasco que foi o PNDPA (http://ambientes.ambientebrasil.com.br/agua/projetos_e_programas_-_agua_doce/programa_nacional_de_desenvolvimento_da_pesca_amadora_-_pndpa.html).

    Acho, porém, que a ministra tem se precipitado muito ao ventilar publicamente que é favorável à unificação da legislação pesqueira em uma lei federal que valeria para todo o país, uma espécie de Código da Pesca.

    O Brasil já passa por problemas com os Código Florestal, Código de Minas e Código de Águas. Reunir a legislação pesqueira em um compêndio seria desastroso até mesmo por conta dos sete biomas diferentes que temos e suas especificidades, não somente biológicas, mas principalmente culturais.

    Temos que ficar de olho e acompanharmos não somente o que está andando no MPA enviado pela ANEPE como proposta para pesca esportiva, como também acompanharmos a discussão e votação do Novo Código Florestal Brasileiro, pois é este último que trata das áreas de preservação permanente:, encostas, topos de morro e a vegetação que protegem as nascentes e as margens dos córregos e rios.

    Parabéns pelo espaço e obrigado por proporcionar a discussão.

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