1
agosto
2007

Vidágua ajuda a preservar peixe mero


Instituto bauruense participa do primeiro projeto ambiental para preservação de espécie marinha ameaçada de extinção
Thatiza Curuci
Ele é grandioso, mas seu tamanho e peso - quase três metros e 400 quilos - não assusta os pescadores a ponto de impedir sua caça. Pelo contrário, o peixe mero é altamente vulnerável e está na lista vermelha das espécies ameaçadas de extinção da International Union for Conservation Nature (IUCN). Agora, ele é personagem principal de um projeto patrocinado pela Petrobras que tem o Instituto Ambiental Vidágua, de Bauru, como participante.

Ontem, o coordenador geral do projeto “Mero - estratégias para a conservação de ambientes costeiros e marinhos do Brasil”, Mauricio Hostim, esteve em Bauru para troca de informações com os integrantes do Vidágua. Cerca de R$ 960 mil serão investidos no projeto, que também é desenvolvido na Bahia, Pernambuco e Santa Catarina, além de São Paulo.


O projeto começou em maio, mas estamos trabalhando para que seja permanente, ou seja, se transforme em um programa”, diz Hostim.

Os esforços realizados até agora foram decisivos para que o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) editasse a portaria 121, de 20 de setembro de 2002, que proibiu a pesca e comercialização deste peixe por cinco anos, em todo o território nacional. Na véspera do fim do prazo de ação da portaria, os ambientalistas já programam o pedido formal de prorrogação. “Já reunimos entidades e formalizamos um documento que será entregue brevemente ao Ibama”, conta Hostim.

A colaboração do Vidágua será, principalmente, na região do Vale do Ribeira, que inclui as cidades de Cananéia, Iguape e Ilha Comprida. A região concentra o maior remanescente de Mata Atlântica do Estado. Dos 90 mil quilômetros quadrados que restam dela, 23% estão no Vale.

“Nesses locais, o peixe faz a reprodução. Eles ficam bastante vulneráveis porque formam grupos e, como não são agressivos, tornam-se presas fáceis do homem”, conta o também coordenador do projeto e integrante do Vidágua Clodoaldo Gazzetta.

Pioneiro

Ele explica que o projeto foi apresentado pela primeira vez em 2004, pelo Instituto Vidágua, mas que na ocasião não foi escolhido pela Petrobras. Desta vez, o projeto foi selecionado entre 600 inscritos. “É o primeiro projeto de preservação de um peixe marinho em todo o País”, diz.

Hostim argumenta que o projeto significa mais do que a preservação de um peixe. “O Mero é, mais do que tudo, o animal que serve como indicador ambiental. Para ele crescer e reproduzir, precisa estar em um ambiente preservado. Portanto, preservando este peixe, outras espécies também serão beneficiadas”, afirma.

Os participantes do projeto vão agir diretamente nas comunidades, trocando informações com pescadores, caiçaras, indígenas, remanescentes de quilombos e pequenos agricultores familiares. Eles serão pró-ativos no processo de preservação do peixe e seu habitat.

Peixe torna-se macho para acasalar

O peixe mero é de grande porte, podendo chegar a três metros de comprimento e 400 quilos. Vive até 40 anos. Entretanto, essa espécie é bastante vulnerável, pois os peixes começam a se reproduzir tardiamente, depois dos 7 anos. Todos nascem fêmeas e, apenas na época do acasalamento, poucos tornam-se machos.

A caça indiscriminada, justamente pelo seu alto valor de mercado, a escassez de habitat e a poluição marinha são os principais fatores que contribuíram para que o Mero chegasse à ameaça de extinção. Ele tornou-se o primeiro peixe marinho da história do Brasil a receber um mecanismo legal de proteção.


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