20
maio
2008

Instituto de Pesca domina técnica de produção do Robalo em cativeiro


Após anos de pesquisa científica, o Instituto de Pesca conseguiu dominar a tecnologia de produção do robalo e da tainha em cativeiro. A técnica foi desenvolvida no Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Cananéia pelos pesquisadores Idili da Rocha Oliveira e Pedro Carlos da Silva Serralheiro.

Agora, o único entrave para a implantação de fazendas marinhas destinadas à criação dessas duas espécies é a falta de um laboratório que produza, em larga escala, as matrizes e as repasse para os interessados em montar as fazendas, como vai acontecer com o bijupirá.

‘‘Já poderíamos colocar os tanques-rede no mar. O que falta para nós é um centro de produção de larvas e (peixes) juvenis’’, salienta Idili, que, além de pesquisadora, dirige a unidade do Instituto de Pesca em Cananéia.

No caso do bijupirá, as matrizes estão sendo produzidas no Laboratório Nacional de Aquicultura Marinha (Lanam), construído pelo Governo Federal e inaugurado em março, em Ilha Comprida, também no extremo sul do Litoral Paulista.

‘‘Para que a maricultura se desenvolva é necessário que haja interesse público, que haja um centro de produção de formas jovens que possa distribuir essas matrizes para quem quiser fazer a engorda’’, salienta Idili.

‘‘(As empresas, cooperativas e virtuais produtores) não querem produzir (as matrizes) no laboratório, querem o peixe já num tamanho adequado para ir para o tanque. Então, é preciso um centro de produção dessas formas jovens que distribua’’, reforça Pedro Carlos.

REPRODUÇÃO AMPLIADA

O robalo já vem sendo produzido em cativeiro nos países europeus banhados pelo Mar Mediterrâneo. Uma das razões do sucesso do robalo europeu foi o domínio da técnica que amplia o período de reprodução da espécie. Na natureza, esse período se restringe a três ou quatro meses.

‘‘A Europa desenvolveu toda a tecnologia para criação do robalo europeu em dez anos. Lá, o preço diminuiu violentamente’’, resume Pedro Carlos, especializado na larvicultura e reprodução de espécies marinhas. Em Cananéia, o Instituto de Pesca também conseguiu estender esse período de reprodução para os 12 meses, permitindo ao produtor que programe suas entregas ao longo do ano.

Esse avanço é fundamental porque garante aos futuros aquicultores, por exemplo, a capacidade de fornecer o robalo ao comércio mesmo nos períodos do defeso, quando a captura de espécies marinhas fica proibida.

Para alterar o período reprodutivo artificialmente, os pesquisadores ampliaram o período de exposição dos peixes à luz utilizando lâmpadas.

‘‘Controlando o fotoperíodo você pode ter o peixe se reproduzindo em várias épocas do ano. Então, manipulando o ciclo reprodutivo em condições artificiais você pode ter peixes ao longo do ano, como estão fazendo com o robalo europeu’’, reforça Pedro Carlos.

Garoupa e mero são os próximos

Da Redação

Além das pesquisas desenvolvidas no extremo sul do Litoral Paulista com o robalo e a tainha, o Instituto de Pesca também trabalha no Litoral Norte para dominar a tecnologia de produção em cativeiro de espécies como o mero, a garoupa e o pampo. Porém, nesses casos ainda falta fechar todo o ciclo de vida dos peixes, ou seja, os pesquisadores já dominam o manejo e a engorda em cativeiro, mas ainda falta desenvolver o processo reprodutivo e a larvicultura em laboratório.

‘‘Não estamos inventando a roda. Há milênios o homem já produzia peixes em cativeiro, mas, se a produção na natureza não estivesse restrita, não se estaria pensando na produção em cativeiro’’, resume o veterinário e pesquisador, Pedro Carlos da Silva Serralheiro.

‘‘A queda na produção é brutal, o que deve acelerar a demanda por peixes criados em cativeiro. A pesca desqualifica um alimento de alta qualidade. É uma atividade do tempo do homem das cavernas’’, completa Pedro Carlos.

‘‘Recebemos consultas de gente de vários estados que quer criar peixe, até do Nordeste. Antes do bijupirá, ligavam sabendo se podíamos fornecer juvenis de robalo ou de qualquer espécie’’, revela Idili da Rocha Oliveira, bióloga e pesquisadora científica do Instituto de Pesca, demonstrando o interesse de empresas e cooperativas na implantação de projetos de maricultura.

Europa já produz peixe em larga escala

Da Redação

Apesar de terem dominado a técnica de produção do robalo, desde a fase larvária até o momento em que o peixe atinge a maturidade e a capacidade de se reproduzir, ainda falta aos técnicos do Instituto de Pesca uma ração adequada ao robalo brasileiro, que tem a cabeça mais curta, é mais alto e mais gordo que o europeu, portanto, tem mais carne.

‘‘Na Europa eles têm uma produção enorme porque já conhecem as necessidades nutricionais da espécie, mas não podemos adaptar a ração deles para cá porque lá o ambiente é frio e as exigências nutricionais são diferentes em relação a aminoacidos e lipídios’’, resume o veterinário e pesquisador científico do Instituto de Pesca, Pedro Carlos da Silva Serralheiro.

Segundo a diretora do Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Cananéia, a bióloga Idili da Rocha Oliveira, indústrias de ração estão dispostas a produzir um alimento específico para o robalo, desde que haja demanda.

‘‘Várias indústrias estão interessadas, mas para elas entrarem no mercado é preciso escala. Enquanto isso, a gente utiliza o que está disponível no mercado e adapta o que faltar naquela ração’’, revela a diretora do Instituto de Pesca em Cananéia.

Mudança de sexo viabiliza engorda rápida

Da Redação

Os pesquisadores do Instituto de Pesca também conseguiram dominar a técnica que permite a mudança de sexo entre os robalos sem a utilização de hormônios prejudiciais à saúde humana. Nessa espécie, todos os peixes nascem machos, o que retarda o processo de engorda.

‘‘No primeiro ano, eles se desenvolvem como machos. Isso retira a energia da carne para os gametas (células encarregadas da reprodução). No segundo ano, se você conseguir fazer com que eles virem fêmeas, você vende o peixe com mais peso’’, revela o pesquisador científico Pedro Carlos da Silva Serralheiro.

Assim como ocorre na ampliação do período de reprodução dos robalos, é o tempo de exposição diária à luz que viabiliza a mudança antecipada do sexo nos peixes juvenis.

Essa técnica é exclusiva do Instituto de Pesca. Na Europa, os especialistas ainda estudam a forma de se acelerar a inversão de sexo no robalo sem indução hormonal.

‘‘Na tilápia, a manipulação do sexo com hormônio está eliminada como técnica porque cria problemas para o consumidor’’, resume Idili da Rocha OIiveira, diretora do Instituto em Cananéia.

Com a antecipação na inversão de sexo, o robalo chega a dois quilos num prazo de dois anos. Sem o manejo adequado e sem uma ração própria ele engorda, em média, 500 gramas por ano. Ou seja, chegaria a um quilo nos mesmos dois anos.

Segundo os pesquisadores, melhorando o manejo a partir de uma ração adequada, o peixe fica até com a carne mais tenra, no tamanho do prato. ‘‘Se você tem uma produção criada, você estabelece uma renda fixa para o pescador, além de ter um alimento de melhor qualidade porque pode abater o animal no momento em que a carne estiver com a melhor qualidade’’, resume Pedro Carlos.

‘‘Quando você cria o animal, tem condições de dar uma melhor conservação do que para aquele peixe que fica dois meses embarcado antes de chegar à mesa do consumidor’’, completa o pesquisador.

Fonte: Jornal A Tribuna, Mai/2008 (http://atribunadigital.globo.com)
Da Redação / Nilson Regalado


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  • 2 comentários

    1. Oswaldo Cisneros said:

      Srs.Preciso de su ajuda,esto interesado en comprar alevinos de ROBALO para engordar en fazenda .Poderiame decir onde posso comprar?
      Aguardo suas respostas.
      Grato,
      Oswaldo

    2. cosme braga said:

      eu tambem gostaria de adquirir juvenil de robalo para criaçao em cativeiro no norte do espirito santo.criaçao em baragems. obrigado



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