30
abril
2007

Com mudança climática, peixes de águas quentes crescem mais rápido


A mudança climática está afetando o crescimento dos peixes no mar. Uma pesquisa feita pela Organização de Pesquisa Científica e Industrial da Commonwealth (Csiro, na sigla em inglês), na Austrália, informa que os peixes que vivem em águas quentes e rasas, a uma profundidade de até 250 metros, estão crescendo mais rapidamente, enquanto os que habitam profundidades baixo de 1.000 metros se desenvolvem mais lentamente.

“Essas observações sugerem que a mudança climática global acentuou alguns elementos da produtividade de cardumes de água rasa, mas ao mesmo tempo reduziu a produtividade e possivelmente a resiliência de cardumes de água profunda”, disse o oceanógrafo Ron Thresher, da Csiro, nesta sexta-feira.

“O crescimento de peixes está intimamente associado à temperatura da água”, acrescentou. “As taxas de crescimento de peixes de água profunda estão mais lentas porque as temperaturas ali têm caído nos últimos séculos. Eles estão se desenvolvendo mais lentamente do que há um século”, afirmou Thresher.

As populações de espécies marinhas grandes estão sujeitas a dois fatores de estresse: a pesca comercial e a mudança climática. A exploração intensa pela pesca aumenta a sensibilidade das espécies aos efeitos ambientais, informou Thresher.

Ossos do ouvido

A equipe do oceanógrafo estudou 555 espécimes das águas em torno da ilha Maria, no leste da Tasmânia. Os peixes tinham de 2 a 128 anos de idade e nasceram entre 1861 e 1993.

Dados sobre mudanças na temperatura do mar foram obtidos de um registro feito ao longo de 60 anos na ilha Maria e a partir de corais de 400 anos encontrados em águas profundas.

A conclusão foi que as temperaturas dos mares no leste da Tasmânia subiram quase dois graus Celsius, enquanto uma mudança dos ventos do Pacífico fortaleceu a corrente marinha quente do leste da Austrália.

Para verificar a taxa de crescimento dos peixes, os cientistas estudaram os ossos dos ouvidos de oito espécies que possuem características similares ao do crescimento dos anéis dos troncos de árvores (usados para determinar a idade delas).

“O crescimento médio mudou significativamente durante os últimos 50 a 100 anos em seis das oito espécies examinadas”, afirma o estudo, publicado pela U.S. National Academy of Sciences.

“Com o aquecimento global, temperaturas em profundidades intermediárias devem subir quase que globalmente. Isso pode significar que, ao longo do tempo, a redução das taxas de crescimento de espécies de água profunda pode desacelerar ou ser revertida”, disse Thresher.

Fonte: Reuters/Folha Online


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