20
maio
2008

Brasileiros poderão participar de programa europeu de pesquisas


Rio de Janeiro - O Brasil poderá participar do novo edital do programa europeu FP7 (7º Framework Programe) que irá disponibilizar, até 2013, 54 bilhões de euros para o desenvolvimento de pesquisas nas áreas de alimentos, pesca, agricultura e biotecnologia.

O assunto está sendo discutido por 20 pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), no workshop Fortalecendo a Colaboração Brasil-União Européia.

A chefe-geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos, Regina Lago, disse que o seminário visa fortalecer a oportunidade de o país trabalhar em projetos financiados pela União Européia (UE). Segundo ela, “o Brasil tem muitas chances, porque a gente tem uma ótima expertise. O que a gente não tem muito é informação adequada e acesso correto na hora correta”.

Durante o encontro, que termina hoje (14), a Embrapa procura mostrar como os pesquisadores nacionais poderão superar as dificuldades, de modo a se articular com especialistas europeus para obter a informação correta. Regina Lago explicou que essa deficiência de informação foi sentida há mais de um ano. Acrescentou que os projetos previstos no FP7 apresentam maior competitividade do que os programas anteriores. “Então, a busca de dinheiro de financiamento, sobretudo para nós, porque é a fundo perdido, é grande. E da parte dos europeus também”.

A Embrapa terá de buscar parceiros europeus para se candidatar à realização das pesquisas. São os pesquisadores europeus que coordenam os projetos. Regina Lago disse que os parceiros preferenciais para o Brasil são os países que conseguem maior nível de aprovação de projetos, entre eles Inglaterra, Alemanha, Holanda, França e Itália.

Os próximos editais do FP7 devem sair em julho, com data-limite para apresentação das propostas à seleção em janeiro de 2009. Já há chance, nesses editais, de os pesquisadores brasileiros participarem, confirmou Lago. Ela lembrou a necessidade de ineditismo nos projetos. “Quando mais inédito, melhor a chance de aprovação”.

A chefe-geral da Embrapa Agroindústria de Alimentos lembrou ainda que os projetos devem apresentar “um diferencial e contribuir de alguma maneira para o que os europeus chamam de bioeconomia, baseada no conhecimento do que é a proposta da União Européia”.

Os projetos devem atender a demandas européias e procurar se inserir nos mesmos níveis de conhecimento. “Em qualquer projeto financiado pela União Européia tem que ter um valor agregado para aquela região”, afirmou Lago.

As pesquisas devem abordar a produção sustentável, qualidade e segurança dos alimentos, e biotecnologia para processamento de produtos não alimentícios. O programa se divide em quatro grandes áreas: cooperação, pesquisa básica, capacitação de pequenas e médias empresas e treinamento de pesquisadores em centros europeus.

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil


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