Artesãs do Sul transformam redes de camarão e derivados de petróleo em objetos femininos

Material descartado por pescadores ganha formas e vira opção de renda

No extremo sul do País, 1,1 mil famílias buscam nas águas da maior lagoa do mundo em extensão, a Lagoa da Conceição, o sustento do dia-a-dia. A Colônia de Pescadores de São Pedro (RS) depende do humor do santo padroeiro para conseguir o abençoado camarão, famoso em todo o Estado.

Para complementar a renda, as mulheres passaram também a se dedicar ao artesanato. Retiram do material descartado pelos pescadores a matéria-prima para suas peças, na coleção Redeiras. O couro da corvina, da tainha, da cascuda e do linguado vira tecido para criativas bolsas, chaveiros e detalhes ornamentais de lenços. As redes de pesca, que serviram para arrastar safras de camarão, transformam-se em charmosas bolsas, carteiras e nécessaires, tecidas em um rústico tear.

As biojóias são produzidas a partir das escamas de peixe. De acordo com a gestora do projeto Artesanato do Mar de Dentro, Jussara Argoud, a Coleção Redeiras traz um trabalho de criação muito bem elaborado. “Para fazer as biojóias, as escamas são tratadas, lixadas e depois recortadas no formato desejado. As redes são cortadas, tingidas e tecidas num tear manual. O grupo já tem 11 artesãs trabalhando neste processo”. explica Jussara.

Outra coleção nova é a do grupo Canoa, que aproveita resíduos da indústria automobilística e de calçados para produzir bolsas e acessórios. “Nosso objetivo é transformar em arte todo o material que vem do petróleo e é descartado pelas indústrias da região de Canoas”, diz a presidente do grupo, Edy Ferreira Ribeiro. O Canoa é resultado de uma parceria entre o Sebrae/RS, a Petrobrás e a Rede Petro.

O trabalho das artesãs gaúchas foi uma das grandes novidades da 17ª Paralela Gift (feira de design), que aconteceu em São Paulo, na última semana de fevereiro. O artesanato do Rio Grande do Sul participa da Paralela Gift desde 2004, quando o grupo Favos do Sul esteve presente. Desde 2007, o estado conta com vários grupos a cada edição.

O Sebrae no Rio Grande do Sul apoiou seis projetos no evento: Ladrilã, Bichos do Mar de Dentro, Redeiras, Lã Pura, Favos do Sul e Canoa, que integram o Projeto Artesanato Mar de Dentro, desenvolvido no Território da Cidadania da Zona Sul do estado.O projeto atinge 25 municípios, em uma área de 39,9 mil quilômetros quadrados.

Uma das grandes conquistas do grupo, segundo Edy, foi o início da exportação para Nova York. “Nossas peças têm qualidade para estarem em qualquer prateleira das melhores redes americanas. Durante a Paralela, também fizemos contatos com um distribuidor francês”. O grupo recicla cerca de 50 quilos de borracha por mês.

Fauna e flora

Tapetes do grupo Ladrilã já estão sendo comercializados pela rede Tok Stok. Composto por 47 empreendedores que utilizam a lã como matéria-prima,o grupo tem a inspiração nos ladrilhos hidráulicos das casas do Sul do Rio Grande do Sul.

Já o Bichos do Mar de Dentro se destaca com uma coleção inspirada na fauna da Costa Doce do Rio Grande do Sul. Ao todo são 26 espécies, como o cisne do pescoço-preto, o quero-quero, o tachâ e o cardeal, que podem ser vistos em mais de 200 peças.

Composto por 28 mulheres distribuídas entre as cidades de São Borja, Uruguaiana e Santana do Livramento, o grupo Lã Pura produz acessórios com lã e crina de cavalo como brincos, colares, mantos e cachecóis. O Favos do Sul combina técnicas de costura e bordado, formando desenhos semelhantes ao traçado geométrico das colméias de abelha. As artesãs produzem peças trabalhadas em materiais como tafetá, cetim, algodão, estamparias e tecidos bordados. A confecção Favos do Sul inclui bolsas, almofadas, colchas, vestimentas e acessórios utilizados em apresentações de danças tradicionalistas gaúchas, entre outros.

Serviço:
Assessoria de Comunicação do Sebrae/RS:
(51) 3216.5165, (51) 3216.5182 ou (51) 9955.8192
Central de Atendimento ao Cliente do Sebrae/RS: 0800 570 0800
Sebrae Sul: (53) 3225.0541

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